segunda-feira, 25 de março de 2013

Não é apenas um BIG MAC!




Será que existe alguma influência do preço do Big Mac em relação ao poder de compra e estilo de vida de diversos países? Até onde pudemos observar, ao longo do tempo com o alto índice de capilaridade da marca e lojas da rede espalhadas pelo mundo todo, o gigante McDonald's conquistou tamanha fama com seu sanduíche "Big Mac", que o índice de vendas do mesmo foi objeto de estudo por diversos especialistas, e foi além, o simplório lache de dois hamburgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, pickles e pão com gergelim tornou-se em 1986, pela revista “The Economist” o índice capaz de medir o valor das moedas em todo o mundo.

Ou seja, o Índice Big Mac foi criado para explicar um conceito econômico chamado paridade de poder de consumo, o conceito de que um dólar deveria comprar a mesma quantidade de um país para o outro. Se houvesse paridade, o preço de um produto – nesse caso um Big Mac quando convertidos para dólares norte-americanos – deveria ser o mesmo em todo o mundo.

Nos Eua, por exemplo, enquanto compra-se um Big Mac por uma média de US$ 3,58 (preço relativo ao 2ºSem/2012), na China com o mesmo valor é possível comprar quase dois do mesmo lanche (US$ 1,83), vale lembrar, ainda, que "a China tem a moeda mais desvalorizada do mundo", concluiu a mesma revista recentemente.

Segundo Dave Denslow, especialista em artigos da Universidade da Flórida,

"Embora o Índice Big Mac seja uma forma nova de olhar para o que o dólar é capaz de comprar em diferentes países, ele também se mostrou bastante acurado para indicar mudanças nas moedas, se o Índice Big Mac diz que uma moeda está desvalorizada, ela tende a se valorizar”

A necessidade da padronização do sanduíche Big Mac, linkada ao pode da moeda de um país nos remete à um caso que ocorreu na Islândia, onde a necessidade de vender um produto uniforme quase levou à falência as três franquias do McDonald's que o país possuia.

Há tempos atrás, o empresário Magnus Ogmundsson apostou fortemente grande de seus investimentos e trouxe as primeiras franquias do McDonald's à seu pais, possibilitando milhares de pessoas à terem o primeiro contato com o famoso Big Mac.

Anos depois, questionado o porquê de vender o seu lanche ao quadruplo de outro outros países, o empresário disse à Associated Press, que na época ele era obrigado por seu contrato com o McDonald's a importar praticamente todos os ingredientes do sanduíche da Alemanha.

Com a moeda do país isolado no Ártico caindo, em 2009, a moeda islandesa, o krona, havia se desvalorizado muito, Ogmundosson teria que cobrar o equivalente a US$ 6,36 por sanduíche, o que o tornaria um dos Big Macs mais caros do mundo.

Ogmundsson se viu na situação de optar entre vender o lanche da multinacional à preços exorbitante para aqueles que desejariam provar o sabor da marca norte-americana ou declarar a falência e fechar as lojas. Seria certo ofertar o valor do popular BigMac à 4x mais que em outros determinados locais do mundo?

Tomemos como exemplo, o caso de Ogmundsson optar por uma escolha sob a ótica da ética da convicção, onde tenha a convicção pessoal de que é necessária o aumento do preço e que se os clientes desejam mesmo o produto, que paguem o preço que for. Esse empresário pode ter realizado uma escolha focalizando esse tema e essa necessidade: de exclusividade de produto e matéria-prima de alto custo. Porém, uma vez representante de uma marca de sanduíches populares, depara-se com uma proposta fora da realidade da empresa norte-americana.

Por tanto, diante de tantas perguntas e pressão política, tanto da empresa quanto de seu país, a escolha entre as éticas da convicção e da responsabilidade, levou Ogmundsson à decidir por uma linha de ação que não comprometesse seu país, ao fechar suas três lojas, declarou falência, porém se baseou em um conjunto de normas e valores que orientaram a decisão do empresário a partir da sua posição como representante da marca em seu país.



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